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08 de Março – Dia Internacional da Mulher 

O papel da educação na mudança de perspectiva de vida da mulher com deficiência com Yaçana Lima

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 A imagem tem fundo de flores vermelhas e folhagem com toque da cor rosa. Na parte superior esquerda está a logomarca do Vivendo a Diferença .Abaixo da logomarca está a data 08/03 na cor rosa claro. Abaixo da data está escrito: dia internacional da mulher. Ocupando lateral direita da imagem está a foto da Cris de pele morena clara, olhos verdes, cabelos pretos, médios, escovados usando uma blusa branca de manga comprida e ombros à mostra. Cris está séria. A fotografia tirada de perfil para o lado esquerdo.

Por: Crislândia Silva

Chegamos em mais um dia 08 de Março, dia internacional da mulher. Em 2021, eu e a Advogada Especialista em Direitos da Pessoa com Deficiência, Dra. Ana Lúcia Oliveira, escrevemos um texto sobre os direitos, a militância e a importância da valorização da mulher com deficiência.

Para este ano, resolvi entrevistar uma mulher com deficiência que até então, eu não conhecia e quando comecei a procurar o perfil desejado, descrevi que precisaria de uma mulher ativa e positiva. Ou seja, uma mulher que toca sua vida com dificuldades sim, porém de uma forma leve dentro das suas possibilidades.

Não demorou para eu encontrar a Yaçana Lima, mulher com deficiência, 30, Arquiteta e Mestre em Engenharia Mecânica (UFMG). 

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Imagem mostra uma foto da entrevistada  Yaçana Lima, mulher com deficiência, pele branca, cabelo cacheado, castanho claro e curto.Vestindo camisa de manga longa estampada nas cores cinza, branco e preto. Yaçana  usa óculos e sorri.

Tendo em vista que as Pessoas Com Deficiência (PCD’s)  enfrentam dificuldades das mais diversas esferas, no caso de Yaçana não foi diferente. Sua deficiência é uma síndrome chamada Charcot Marie Tooth, que causa problemas como: cifoescoliose muito severa, falta de ar, fraqueza muscular, dificuldade para ficar em pé e caminhar longas distâncias. Além de fazer com que seus braços e pernas sejam longos e finos, conforme ela mesma descreveu.

Assim sendo, a arquiteta contou que sua deficiência por muitas vezes, fez com que ela se sentisse fora dos padrões impostos pela sociedade, até que ela teve acesso à inclusão através da educação:

“Antes de entrar na faculdade e até mesmo durante os primeiros períodos eu sentia que eu era “errada/estranha” diante do mundo, pois não conseguia me assentar bem em cadeiras da escola e subir em escadas sem corrimão, por exemplo. Entretanto, quando conheci os estudos sobre acessibilidade me encontrei como indivíduo e vi que o espaço é que não está adequado a mim”, disse.

Dessa forma, evidencia-se o poder da educação na busca e no alcance da inclusão das mulheres com deficiência em espaços que, a priori, não são preparados para recebê-las. A mestre em Engenharia Mecânica relatou como foi o seu processo para perceber que ela não precisa se encaixar em lugar algum e sim, buscar seus direitos e usufriur deles:

“O espaço sim, é deficiente. E não precisamos nos sentir mal por isso. É uma mudança de pensamento que me levou a me aprofundar cada vez mais no tema e a exigir meus direitos enquanto mulher com deficiência. Hoje eu tenho cartão inclusão de ônibus, uso o SUS, utilizo filas preferenciais e recentemente, usei os serviços do aeroporto de auxílio com bagagem e transfer até o avião. Tudo isso com muito orgulho, pois são direitos adquiridos e devem ser usados para dar mais equidade às PCD”, declarou..

Yaçana destacou ainda, que ao invés de continuar tentando se enquadrar aos padrões, fez uso do conhecimento para melhorarr sua realidade, o que a ajudou a encarar sua deficiência com mais leveza,: 

“Minha deficiência começou a ficar mais leve quando eu comecei a estudar sobre minhas doenças ao invés de ficar triste. Corri atrás de tratamentos específicos e fiz meu mestrado para desenvolver uma cadeira inteligente para pessoas que tem cifoescoliose assim como eu. Hoje sigo pesquisando rumo ao doutorado, pois sei que a ciência e a medicina não param de evoluir,” Enfatizou.

Ela ressaltou também, sua atual percepção sobre si mesma:

“Hoje me enxergo como dona do meu futuro. A deficiência me limita em algumas coisas, como caminhar longas distâncias, mas não me impede de buscar meus sonhos. Acredito que as mulheres com e sem deficiência devem se unir de modo a se fortalecerem e se apoiarem”, avaliou.

“Segundo Yaçana, uma das melhorias que conseguiu para si, ainda gera estranheza nas pessoas. Porém, ela segue feliz e aprimorando seus conhecimentos para evoluir a cada dia:

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Imagem mostra uma foto da entrevistada  Yaçana Lima, mulher com deficiência, pele branca, cabelo cacheado, castanho claro e curto.VestindoShort jeans e regata listrada em marrom e branco. Um ambiente de praia usa óculos de sol espelhado na cor azul. OBS.: A foto não está no padrão de imagem para matéria jornalística, mas a entrevistada ressalta que esta foto, traz uma melhor percepção de como é sua deficiência aparentemente.

“Atualmente uso um colete Rigo Cheneau feito pelo Dr. Aleksandro Pontes que gera reações de curiosidade nas pessoas, mas sou feliz, pois esse colete alivia minhas dores e quando me olham diferente já não dói na alma, pois sei que estou fazendo o melhor por mim e pela minha saúde”, celebrou.

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